Tema 1 – Equidade e acesso ao saneamento
As características territoriais afetam fortemente as condições de acesso ao saneamento. Áreas de ocupação informal nas cidades, que usualmente apresentam estrutura urbana irregular, são as de mais difícil atendimento e geralmente implicam custos mais elevados. Áreas rurais são outras que apresentam dificuldade, pela baixa densidade e grandes distâncias.
Nessas áreas de mais difícil atendimento, grande parte dos habitantes usualmente pertence a estratos de mais baixa renda, adicionando dificuldades econômicas aos problemas físico-territoriais, o que torna o exercício do direito a água e serviços sanitários de qualidade um grande desafio em muitos países.
Serviços inexistentes, ou parciais, provocam ainda grande impacto ambiental, aumentando a poluição e comprometendo áreas sensíveis, como mananciais. As mudanças climáticas vêm agravando esse quadro de degradação, ao mesmo tempo em que acentuam os problemas para a população residente, com o aumento de escorregamentos e inundações, e de insegurança hídrica por escassez em estiagens.
A discussão deste tema buscará, além de discutir como estender o atendimento nessas áreas de maior dificuldade, debater questões como qualidade, permanência e resiliência dos serviços.
Sessão 1 – Saneamento em áreas urbanas informais
Áreas urbanas informais, de conformação irregular, seguem sendo a opção de moradia para parcelas significativas das populações dos países em desenvolvimento; no Brasil, esse contingente tem crescido em termos percentuais. Dotar as áreas informais de infraestrutura urbana regular é a solução a ser buscada, mas como implica custos elevados, a serem arcados pelos orçamentos públicos, na maioria dos casos não é realista prever essas soluções em horizontes de planejamento próximos.
O objetivo da sessão será discutir soluções temporárias, que permitam o acesso a serviços adequados, enquanto não se alcancem intervenções de urbanização plena. Serão discutidas soluções para abastecimento de água, que são relativamente mais fáceis, e de esgotamento sanitário e manejo de águas pluviais, de maior complexidade e custos.
Será discutida também a qualidade dos serviços nessas condições, e como as comunidades podem intervir para assegurar que o direito a atendimento de qualidade seja garantido.
Sessão 2 – Saneamento em áreas rurais
Essa sessão debaterá soluções para saneamento rural, em diferentes condições, em países de renda média e baixa, apresentando como diferentes países e regiões buscam assegurar serviços adequados a essa parcela de suas populações.
Serão apresentadas soluções de diferentes realidades, tanto utilizando alternativas tradicionais, como novas tecnologias.
Um aspecto a ser debatido é o papel das concessionárias de serviços de água e esgotamento sanitário na prestação de serviços em áreas rurais, integralmente, ou de modo parcial, encarregando-se de partes da implantação e manutenção.
Serão discutidos modos de como as comunidades participam do processo, na gestão e operação dos sistemas, e como se relacionam com os governos e com as empresas prestadoras.
Sessão 3 – O impacto das mudanças climáticas na prestação de serviços de saneamento em áreas vulneráveis e ambientalmente sensíveis
As populações mais vulneráveis são as de maior exposição aos impactos negativos das mudanças climáticas. As condições de moradia, já precárias, se agravam, aumentando a exposição a riscos e a serviços básicos de pior qualidade. A sessão discutirá essa questão para diferentes realidades regionais, analisando impactos e medidas de enfrentamento.
Um aspecto a ser destacado é o de maior exposição a riscos de inundações, deslizamentos de terra e outros desastres decorrentes do aumento de precipitações elevadas, como se tem visto continuamente em várias partes do planeta.
O outro extremo é o da escassez. O aumento da intensidade e frequência das estiagens tem colocado em estresse os sistemas de abastecimento de água, gerando a necessidade de intervenções de aumento de capacidade e de resiliência. Esse estresse aumentado se reflete diretamente nas áreas periféricas e de ocupação precária, que são as primeiras a sofrer os efeitos da falta, e as de maior dificuldade na manutenção da regularidade dos serviços.
Os impactos das alterações também afetam os ecossistemas mais frágeis, como mananciais, manguezais e regiões costeiras em geral, o que será também objeto da discussão.
Tema 2 – Ciclo sustentável do saneamento: esgoto, reuso e economia circular
O Tema 2 do BWW 2026 aborda o saneamento, a partir do esgotamento sanitário, como pilar estruturante da sustentabilidade, da segurança hídrica e energética e do desenvolvimento urbano. A abordagem enfatiza a recuperação de recursos, a descarbonização dos sistemas, a incorporação qualificada da inovação e a consolidação de modelos circulares aplicados ao setor. O tema está alinhado às políticas públicas setoriais em escala global, às agendas de meio ambiente e clima, à Agenda 2030 e aos princípios ESG, reforçando o papel estratégico do saneamento na transição para sistemas mais eficientes e resilientes.
A proposta contempla a evolução das Estações de Tratamento de Esgoto (ETEs) como biofábricas e unidades de produção sustentáveis, capazes de superar a função convencional de remoção de cargas poluidoras e converter passivos socioambientais em ativos estratégicos. Nesse contexto, são discutidos casos práticos e rotas tecnológicas para o reúso de água, a produção de energia limpa, a recuperação de nutrientes e a obtenção de produtos de alto valor agregado, como o hidrogênio. Essas abordagens contribuem para a mitigação de impactos ambientais, a otimização do uso de recursos naturais, o aprimoramento do desempenho operacional e o fortalecimento da universalização dos serviços de saneamento.
O tema abrange tecnologias de alta eficiência e baixo impacto ambiental, práticas operacionais avançadas, métodos de otimização de processos, retrofits inteligentes e soluções progressivas que viabilizam a economia circular no saneamento, considerando de forma integrada os aspectos técnicos, regulatórios, institucionais e financeiros. Destaca-se, ainda, a integração do saneamento com serviços ecossistêmicos e soluções baseadas na natureza, ampliando sua contribuição para a adaptação às mudanças climáticas, a mitigação de emissões e o aumento da resiliência das cidades.
O debate prioriza experiências aplicadas, cooperação técnica e institucional e a construção de agendas replicáveis, promovendo o diálogo qualificado entre utilities, setor privado, startups, academia, organismos internacionais e instituições públicas, em consonância com os eixos estratégicos e o posicionamento internacional do BWW 2026.
Sessões Temáticas Propostas
– Sessão 1 – ETEs como Biofábricas: do Tratamento de Esgotos à Produção de Recursos Estratégicos
– Sessão 2 – Eficiência em Escala: Tecnologias, Otimização e Retrofit para Recuperação de Recursos no Saneamento
– Sessão 3 – Além da Infraestrutura Cinza: Serviços Ecossistêmicos e Soluções Baseadas na Natureza Aplicadas ao Saneamento
Tema 3 – Desafios regulatórios e contexto
O alcance da universalização dos serviços de saneamento está intrinsecamente ligado à capacidade de adaptação e inovação dos marcos regulatórios. Este tema geral, “Desafios Regulatórios e Contexto”, propõe uma análise estratégica e internacional sobre os pilares que sustentam a expansão e a resiliência do setor de água e saneamento em um mundo de crescentes incertezas.
A primeira sessão, “Reequilíbrio e Sustentabilidade de Contratos“, aborda a necessidade crítica de garantir a segurança jurídica e a atratividade de investimentos de longo prazo. Em um cenário global marcado por instabilidade macroeconômica e, sobretudo, pelos impactos das mudanças climáticas, o debate se concentra em como os contratos de concessão e PPPs podem incorporar mecanismos de resiliência econômica e compartilhamento de riscos. Serão exploradas as melhores práticas internacionais para o reequilíbrio econômico-financeiro, visando proteger a modicidade tarifária e, simultaneamente, assegurar a viabilidade dos operadores e o cumprimento das metas de universalização.
A segunda sessão, “Regulação do Saneamento Rural e Governança Multinível”, foca no desafio da inclusão, essencial para o princípio de “não deixar ninguém para trás”. A discussão se aprofunda na necessidade de adaptar a regulação para as especificidades das áreas rurais e comunidades isoladas, onde soluções descentralizadas são a regra. O eixo central é a Governança Multinível, examinando modelos internacionais de coordenação entre diferentes esferas de governo e a integração de modelos de gestão comunitária. O objetivo é identificar estratégias regulatórias que promovam a sustentabilidade técnica e econômica das soluções alternativas, garantindo a qualidade do serviço e a resiliência frente aos eventos climáticos extremos.
Em conjunto, as sessões oferecem uma visão abrangente sobre como a regulação moderna deve atuar como um agente de transformação, equilibrando a atração de capital, a inovação tecnológica e a equidade social para acelerar o acesso universal e sustentável ao saneamento.
Sessão 1 – Reequilíbrio e Sustentabilidade de Contratos
Título da Sessão: Resiliência Econômica e Sustentabilidade de Contratos de Longo Prazo: Desafios Globais na Universalização do Saneamento
Descrição: A busca pela universalização dos serviços de água e esgotamento sanitário, consolidada no ODS 6 da ONU, exige um volume massivo de investimentos que, em grande parte do mundo, é viabilizado por meio de parcerias de longo prazo entre o setor público e privado. No entanto, a estabilidade e a sustentabilidade desses contratos enfrentam hoje pressões sem precedentes decorrentes de um cenário global de incertezas.
Esta sessão explorará os mecanismos de Reequilíbrio Econômico-Financeiro sob uma perspectiva internacional, discutindo como diferentes localidades estão adaptando seus marcos regulatórios para lidar com choques exógenos. O debate central focará na integração da resiliência climática nos modelos de negócio: como os contratos podem absorver os custos crescentes de adaptação a eventos extremos (secas, inundações e escassez hídrica) sem comprometer a modicidade tarifária ou a viabilidade financeira dos operadores.
Serão discutidas tendências globais em regulação econômica, incluindo o uso de gatilhos automáticos de reequilíbrio, metodologias de compartilhamento de riscos climáticos e o impacto de reformas macroeconômicas e tributárias na atratividade de investimentos em infraestrutura. O objetivo é promover uma troca de experiências sobre como garantir a segurança jurídica necessária para atrair capital internacional, assegurando que as metas de sustentabilidade sejam traduzidos em contratos resilientes e socialmente justos.
Questões-chave:
- Como os marcos regulatórios internacionais estão evoluindo para incluir o risco climático como um fator de desequilíbrio econômico-financeiro passível de revisão contratual?
- Quais são as melhores práticas globais em metodologias de reequilíbrio que equilibram a necessidade de investimentos em infraestrutura resiliente com a proteção social e a modicidade tarifária?
- De que forma a instabilidade macroeconômica global e as reformas fiscais impactam a sustentabilidade de contratos de longo prazo e quais mecanismos de mitigação têm se mostrado mais eficazes?
- Como a regulação pode incentivar a eficiência operacional e a inovação tecnológica como ferramentas para manter o equilíbrio econômico frente ao aumento dos custos de insumos e energia?
- Qual o papel das instituições financeiras internacionais e dos reguladores na criação de um ambiente de negócios previsível que suporte as metas de universalização e os ODS 6 em cenários de alta incerteza?
Panelistas Sugeridos:
- Especialista em Regulação Econômica de organismos internacionais (ex: Banco Mundial, OCDE ou IWA).
- Regulador de destaque de uma agência internacional com experiência em revisão tarifária e gestão de contratos.
- Executivo de um operador global de saneamento com atuação em múltiplos mercados e contextos regulatórios.
- Consultor ou Acadêmico internacional especializado em financiamento de infraestrutura e parcerias público-privadas (PPPs).
Moderação: Representante da ABES.
Sessão 2 – Regulação do Saneamento Rural e Governança Multinível
Título da Sessão: Governança Multinível e Regulação do Saneamento Rural: Estratégias Globais para a Inclusão e Universalização
Descrição: Atingir a meta de “não deixar ninguém para trás”, conforme preconizado pelo ODS 6, exige soluções inovadoras para o saneamento em áreas rurais e comunidades isoladas, onde os modelos convencionais de prestação de serviços muitas vezes falham. Globalmente, o saneamento rural enfrenta desafios comuns: dispersão geográfica, baixa densidade demográfica e a necessidade de tecnologias descentralizadas que sejam tecnicamente viáveis e economicamente sustentáveis.
Esta sessão debaterá a Governança Multinível como a chave para superar a fragmentação institucional e garantir a eficácia das políticas públicas. O foco será a coordenação entre diferentes níveis de governo (nacional, regional e local) e a integração de modelos de gestão comunitária com marcos regulatórios formais. Serão exploradas experiências internacionais de regulação que reconhecem soluções alternativas e promovem a resiliência frente às mudanças climáticas, as quais impactam desproporcionalmente as populações rurais e sua segurança hídrica.
O debate abordará como normas de referência e diretrizes nacionais podem ser flexibilizadas para acolher a diversidade de contextos rurais, sem abrir mão da qualidade e da vigilância sanitária. A sessão busca identificar boas práticas globais em subsídios cruzados, financiamento de soluções individuais e o papel das agências reguladoras na proteção dos direitos humanos à água e ao saneamento em territórios vulneráveis.
Questões-chave:
1 Quais modelos de governança multinível têm se mostrado mais eficazes internacionalmente para integrar o saneamento rural às políticas nacionais de universalização?
2 Como a regulação pode ser adaptada para validar e monitorar soluções descentralizadas e tecnologias alternativas, garantindo padrões de qualidade e sustentabilidade a longo prazo?
3 Como estruturar mecanismos de financiamento e subsídios que garantam a viabilidade econômica dos serviços rurais e a acessibilidade financeira para as populações de baixa renda?
4 Qual o papel da participação comunitária e da gestão local na governança do saneamento rural e como os reguladores podem apoiar esses modelos de forma institucionalizada?
Panelistas Sugeridos:
1 Especialista em Saneamento Rural de uma organização nacional ou internacional.
2 Representante de uma agência reguladora internacional com mandato sobre serviços rurais e descentralizados.
3 Pesquisador ou Gestor de modelos de gestão comunitária de sucesso (ex: modelos de associações rurais na América Latina ou África).
4 Especialista em políticas públicas e governança multinível com foco em desenvolvimento sustentável e ODS.
Moderação: Representante da ABES.
Tema 4 – Saneamento digital e operações inteligentes: inovação para eficiência e transparência
A digitalização do saneamento representa uma mudança estrutural no setor, deslocando o foco de ações reativas para modelos de operação preditiva, gestão em tempo real e tomada de decisão baseada em dados de alta qualidade. O avanço de tecnologias como gêmeos digitais, inteligência artificial, machine learning e Internet das Coisas (IoT) viabiliza a otimização de recursos, a redução de perdas, o aumento da resiliência operacional e o fortalecimento da transparência frente à sociedade e às instituições públicas.
Esse movimento é impulsionado não apenas pela evolução tecnológica, mas também pela consolidação de marcos de legislação de inovação que criam condições jurídicas para a experimentação, o desenvolvimento tecnológico e a cooperação entre empresas de saneamento, universidades, institutos de pesquisa, startups e centros de inovação. A legislação de inovação, aliada ao marco legal das startups e aos instrumentos de fomento à pesquisa aplicada, amplia a capacidade do setor de testar soluções, acelerar protótipos e incorporar tecnologias emergentes à operação cotidiana com segurança jurídica e escalabilidade.
Nesse contexto, estruturas tecnológicas integradas de gestão operacional tornam-se o núcleo da operação moderna, unindo monitoramento contínuo, controle automatizado e capacidade de simulação para avaliar cenários e antecipar falhas. Plataformas interoperáveis, com padrões de dados abertos, sustentam análises preditivas e prescritivas que orientam o planejamento de investimentos, a priorização de manutenção e a gestão adaptativa da infraestrutura, fortalecendo a eficiência e a governança técnica.
A implementação bem-sucedida desse novo paradigma exige não apenas tecnologia, mas engenharia de processos, revisão de fluxos operacionais, capacitação das equipes e alinhamento institucional com os instrumentos legais que sustentam a inovação. Experiências internacionais demonstram que utilities que articulam digitalização e legislação de inovação alcançam ganhos expressivos de eficiência, confiabilidade e transparência, com impacto direto na sustentabilidade do negócio e na qualidade dos serviços prestados.
Eixo 1 – Operação inteligente e tomada de decisão baseada em dados
Apresenta como a combinação de dados de alta qualidade, inteligência artificial, modelagem preditiva e ferramentas digitais está transformando a gestão operacional do saneamento. O foco está na capacidade de antecipar riscos, otimizar ativos e orientar decisões estratégicas com base em evidências, reduzindo perdas e elevando a eficiência dos sistemas.
Tópicos-chave
- Modelagem preditiva aplicada à operação de redes de água e esgoto
- Simulação de cenários críticos para planejamento e resposta rápida
- Gêmeos digitais como ferramenta de apoio
- Uso de IA para previsão de falhas, demanda e anomalias operacionais
- Redução de OPEX e CAPEX por meio de decisões orientadas por dados
- Casos práticos de utilities que migraram de modelo reativo para preditivo
Eixo 2 – Monitoramento inteligente, automação e transparência operacional
Explora como a integração entre IoT, sistemas de automação avançada e plataformas de dados fortalece a rastreabilidade, a confiabilidade dos serviços e a transparência institucional. O eixo discute como esses sistemas sustentam a governança digital e ampliam a capacidade de prestação de contas à sociedade.
Tópicos-chave
- IoT e redes de sensores aplicadas ao saneamento
- SCADA de nova geração e integração com plataformas corporativas
- Automação adaptativa e controle em tempo real
- Dados abertos e interoperabilidade para gestão pública
- Indicadores digitais de desempenho e painéis gerenciais
- Transparência operacional e confiança institucional
Eixo 3 – Inovação no saneamento: legislação, ecossistema e pessoas como vetor de transformação
Discute como a legislação de inovação cria condições jurídicas para a experimentação tecnológica, a pesquisa aplicada e a cooperação entre utilities, universidades, startups e centros de pesquisa, ao mesmo tempo em que evidencia o papel central das pessoas na consolidação da cultura de inovação. O eixo destaca que a transformação digital só se sustenta quando acompanhada de mudança comportamental, capacitação e liderança estratégica.
Tópicos-chave
- Legislação de inovação aplicada ao setor de saneamento
- Instrumentos legais para parcerias em P&D e inovação aberta
- Marco legal de startups e estímulo à experimentação tecnológica
- Comparação internacional: modelos de EUA e Holanda em inovação hídrica
- Papel das pessoas na inovação: cultura, liderança e mudança organizacional
- Capacitação técnica e comportamental para ambientes digitais
- Como transformar tecnologia em valor real por meio do engajamento das equipes
Tema 5 – Cooperação global e diplomacia da água: conexões para um futuro compartilhado
Tema 6 – Adaptação climática e resiliência hídrica: soluções para um mundo em mudança
Engenharia da resiliência hídrica
A intensificação e a maior frequência de eventos hidrológicos extremos associados às mudanças climáticas impõem desafios inéditos ao planejamento, à engenharia hídrica e ao setor de saneamento. Nesse contexto, a engenharia da resiliência hídrica emerge como abordagem estratégica para o planejamento, o projeto, a adaptação e a operação de infraestruturas capazes de responder a cenários de incerteza, reduzir vulnerabilidades e garantir a continuidade dos serviços essenciais.
Este painel abordará como princípios de resiliência, flexibilidade, robustez e capacidade adaptativa vêm sendo incorporados à engenharia de sistemas hídricos em diferentes escalas territoriais. Serão discutidas experiências práticas e abordagens técnicas aplicadas a sistemas de abastecimento de água, coleta e tratamento de esgotos, drenagem urbana, controle de cheias e gestão integrada de recursos hídricos, com ênfase na adaptação de infraestruturas existentes e na concepção de soluções mais resilientes frente a secas, inundações e falhas sistêmicas.
O debate reunirá perspectivas complementares da academia, de operadores de serviços, de reguladores, de instituições de planejamento e de especialistas internacionais, promovendo a articulação entre fundamentos conceituais e aplicações práticas. A sessão buscará evidenciar como a engenharia pode apoiar processos decisórios mais informados, contribuir para estratégias de adaptação climática e fortalecer a segurança hídrica em um cenário de mudanças ambientais aceleradas.
Planejamento adaptativo e gestão de risco climático
As mudanças climáticas ampliam a complexidade do planejamento territorial e da gestão de riscos, exigindo abordagens capazes de lidar com incertezas, múltiplos cenários e impactos desiguais no espaço e no tempo. Nesse contexto, o planejamento adaptativo e a gestão de risco climático emergem como instrumentos fundamentais para orientar decisões públicas e técnicas mais robustas, flexíveis e socialmente justas.
Este painel propõe uma abordagem inovadora, estruturada a partir de dilemas reais de tomada de decisão enfrentados por gestores, planejadores e técnicos. Em vez de exposições tradicionais, os painelistas responderão a questões-problema comuns, explorando critérios de priorização, trade-offs, limitações institucionais e regulatórias e estratégias de ajuste contínuo frente a riscos climáticos crescentes.
A sessão buscará evidenciar como diferentes perspectivas técnicas, institucionais e territoriais lidam com a incerteza climática, promovendo um diálogo aplicado entre planejamento, engenharia, governança e políticas públicas. O debate contribuirá para a construção de referências práticas e conceituais que apoiem processos decisórios mais resilientes e alinhados aos desafios atuais e futuros.
Soluções baseadas na natureza e proteção de mananciais
A degradação de mananciais e a intensificação das pressões climáticas e antrópicas sobre os recursos hídricos exigem abordagens integradas que articulem conservação ambiental, planejamento territorial e gestão da água. Nesse contexto, as soluções baseadas na natureza têm se consolidado como estratégias relevantes para a proteção de mananciais, a melhoria da qualidade da água, a regulação hidrológica e o fortalecimento da resiliência hídrica.
Este painel propõe uma abordagem inovadora, organizada a partir do percurso da água na bacia hidrográfica e orientada por evidências e resultados. Cada painelista abordará um trecho específico do território, apresentando problemas enfrentados, soluções baseadas na natureza adotadas e evidências observadas quanto à sua efetividade.
A sessão buscará demonstrar como intervenções distribuídas ao longo da bacia se conectam e se reforçam mutuamente, contribuindo para a proteção de mananciais e para a segurança hídrica em diferentes escalas. O debate reunirá perspectivas técnicas, institucionais e científicas, promovendo uma visão sistêmica e aplicada das soluções baseadas na natureza no contexto da adaptação climática.
Tema 7 – Água segura: saúde e sustentabilidade
Em breve mais informações.